Agroecologia nas Escolas de Educação Básica: fortalecendo a resistência ativa!

«Uma boa chave para nossas reflexões, nosso planejamento coletivo. Um jeito de retomar nossas discussões sobre concepção de educação, sobre a Pedagogia do Movimento. Pelo que resistimos?».

Para o MST lutar e construir a Reforma Agrária Popular (RAP) é sua forma principal de Resistência Ativa nesse momento histórico. Na resposta prática à questão que função social se deve dar à terra, a contribuição Sem Terra à luta contra a devastação da vida e contra a alienação que impede que essa luta já seja de toda humanidade… A RAP entrelaça reapropriação social da terra, soberania alimentar, agroecologia, trabalho associado, trabalhadores e trabalhadoras buscando assumir o comando de seu próprio destino. Ajudando a projetar e a experimentar ainda no presente relações não antagônicas entre ser humano e natureza e dos seres humanos entre si. Pensar sobre o que isso significa e implica para nosso trabalho educativo, e em especial nas escolas de educação básica, é um dos objetivos principais desse encontro de educadoras e educadores dos assentamentos de reforma agrária vinculados ao MST.

Talvez não seja demais dizer que o sentido maior da RAP para o trabalho na educação nos foi afirmado pelas crianças Sem Terrinha na sua 19ª Jornada Estadual no RS, realizada em outubro: entre sorrisos e rostos alegres, elas nos seus depoimentos, mais do que denunciar problemas insistiam em falar do que gostam na vida que levam: os alimentos que comem e ajudam a produzir, o ar puro que respiram, a bela morada que têm, suas brincadeiras ao ar livre, a comunidade em que vivem, as escolas em que estão… O cuidado com a vida que demonstram sentir… O que do seu jeito denunciaram fundo: não podemos perder o que temos! Não permitam que roubem a vida que conquistamos com vocês!

Não deixem de continuar essa construção e nos ajudem a participar dela… Poderia haver melhor clamor à continuidade da luta do que esse?

Pensemos: esse chamado das crianças Sem Terrinha não é outro jeito de dizer o que nos dizem estudiosos e militantes das lutas camponesas como, por exemplo, o mexicano Armando Bartra, que afirma: “Se dice que los obreros luchan y son revolucionarios porque no tienen nada que perder más que sus cadenas. Los campesinos, en cambio, luchan y son revolucionarios porque tienen algo que perder; porque no quieren ser desposeídos de lo que aún les queda, sus comunidades: los pequeños y entrañables mundos que han sabido preservar del capitalismo y que quisieran expandir al planeta entero”.

Notem o destaque que faz às comunidades, nem sempre valorizadas pelos adultos que vivem nelas… O que não podemos perder!

Uma boa chave para nossas reflexões, nosso planejamento coletivo. Um jeito de retomar nossas discussões sobre concepção de educação, sobre a Pedagogia do Movimento. Pelo que resistimos? Nos idos dos anos 1990, quando começamos nossos cursos de Magistério e firmamos o trabalho do setor de educação, nos reuníamos como coletivo de educadoras para discutir sobre a “escola que queremos” sempre diferente da “escola que temos” ou tínhamos… Hoje talvez ainda seja assim, mas com certeza em muitos lugares e em muitas dimensões do trabalho feito já podemos dizer, como nos disseram as crianças Sem Terrinha, que a escola que temos é a escola que queremos continuar construindo, coletivamente, amorosamente…

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